A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô SP) recebeu, na terça-feira, 14 de maio, quatro propostas válidas de empresas interessadas em assumir o projeto de expansão da Linha 17-Ouro, o monotrilho que liga o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Esta fase de licitação engloba a adaptação e execução do projeto técnico para mais quatro estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. O resultado da avaliação das propostas deve ser divulgado em 20 de agosto, com a expectativa de que esta etapa da obra comece em 2029 e entre em operação em 2032.
O projeto da Linha 17-Ouro é uma história de idas e vindas para a capital paulista. Anunciado originalmente em janeiro de 2010, o monotrilho foi idealizado para conectar o Estádio do Morumbi ao Terminal Rodoviário do Jabaquara, passando pelo aeroporto, com um total de 18 estações. No entanto, devido a mudanças, atrasos e problemas contratuais ao longo dos anos, apenas oito paradas foram construídas e inauguradas de forma parcial em março deste ano. O Metrô ainda planeja a conclusão total da linha até 2034, dividida em fases.
Licitação para a Fase 2: detalhes das propostas e próximos passos
A licitação recente se concentra na Fase dois do projeto, que inclui as estações Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. As quatro propostas válidas apresentadas variaram entre R$ 49 milhões e R$ 91 milhões. O resultado da avaliação das propostas, que considerará a proposta mais barata e com melhor embasamento técnico, deve ser divulgado em 20 de agosto. Houve também outras três propostas que foram desclassificadas.
Os consórcios e suas propostas foram:
- Consórcio Projetista Linha 17-Monotrilho (ARX Brasil, Themag Engenharia e Gerenciamento, Metroeng Engenharia, Arquiteto Pedro Taddei e Associados, e Ettec Consultoria Especializada em Engenharia de Mobilidade): R$ 48.985.070,73
- Consórcio Hidroconsult-Agência E-Bonin: R$ 63.586.090,66
- Consórcio Egis-Sener-Setec-EGT: R$ 71.305.926,25
- Consórcio IMNP 17 (Intertechne Consultores S.A., Maubertec Tecnologia em Engenharia, Nova Engenharia S.A. e Pólux Engenharia): R$ 91.361.067
Este processo de licitação visa a adequação do projeto original, feito há mais de uma década, e a elaboração do projeto executivo para as obras. Essa etapa de ajustes deve levar cerca de dois anos. Após isso, a licitação para a construção das quatro estações da Fase dois será realizada em 2028, com a expectativa de início das obras em 2029 e conclusão em três anos, para operação em 2032.
O trecho em operação e as futuras expansões do monotrilho
Atualmente, a Linha 17-Ouro opera de forma parcial, com oito estações entregues, ligando o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda de trens. O funcionamento completo deste trecho inicial é previsto para outubro.
Atenção ao passageiro: Por enquanto, o monotrilho funciona das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira, com intervalos maiores entre as viagens. Fique atento aos horários de operação limitada.
O projeto completo prevê 18 estações, e o Metrô espera entregar todas elas até 2034. A expansão está dividida em três fases:
- Primeira fase: Envolveu as oito estações já entregues e em operação parcial.
- Fase dois: Inclui as estações Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista (quatro estações), cujo projeto executivo está sendo licitado atualmente.
- Fase três: Contempla as estações Estádio Morumbi, São Paulo-Morumbi, Vila Babilônia, Cidade Leonor, Hospital Sabóia e Jabaquara (seis estações).
Segundo Roberto Torres Rodrigues, diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, a intenção é otimizar o tempo:
“Enquanto estiverem acontecendo as obras do trecho de Vila Paulista até Américo Maurano, paralelamente estaremos fazendo a contratação de projeto executivo e obras do trecho adjacente. Não vou esperar terminar o trecho dois para iniciar a licitação, projeto executivo e obras do outro trecho. Isso vai acontecer concomitantemente.”
Com essa estratégia, a Fase três também tem previsão de entrega até 2034.
Histórico de atrasos e os desafios da Linha 17-Ouro
A Linha 17-Ouro foi anunciada em 2010 como uma das obras para a Copa do Mundo de 2014, inicialmente para levar torcedores ao Estádio do Morumbi. Com a mudança do estádio para Itaquera, a obra perdeu financiamento federal. Em 2014, as construtoras responsáveis, Odebrecht e Andrade Gutierrez, foram alvo da Operação Lava Jato, levando à rescisão do contrato pelo Metrô em 2016.
As obras ficaram paralisadas por anos e só foram retomadas em 2020, passando ainda por novas trocas de empresas e paralisações. Roberto Torres Rodrigues, do Metrô, reconhece os obstáculos:
“Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios.”
Em 2010, o projeto de 18 estações era orçado em R$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação). O custo total da primeira etapa da obra, com oito estações, ficou em R$ 5,97 bilhões, incluindo estruturas para a linha e despesas dos contratos paralisados.
Revisão do contrato de operação: o que pode mudar
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que pretende rever o contrato com a concessionária Motiva, que seria a responsável pela operação da linha após a fase de testes. A avaliação é que o monotrilho será deficitário, ou seja, terá mais gastos para operar do que as futuras receitas com passagens.
A possível retirada da Linha 17-Ouro do contrato permitiria que o valor correspondente fosse reinvestido pela Motiva na melhoria do serviço em outras linhas já concedidas à empresa, como as 8-Diamante e 9-Esmeralda (trens), e 4-Amarela e 5-Lilás (metrô). A medida, no entanto, só ocorrerá se houver interesse da concessionária e ainda não há prazo definido para a decisão.
Em nota, a Motiva informou que acompanha as manifestações do governo e reconhece o interesse já demonstrado nesse sentido.
